Design: Ciência ou Arte?

Ciência parte do pressuposto que se possui um conhecimento específico para determinado assunto, seja esse conhecimento intelectual ou sensorial (GASPAROTO, 2006). Enquanto o primeiro se baseia em métodos capazes de organizar os passos para a realização de uma pesquisa regrada e bem estruturada o outro depende da percepção do físico, “de apreender o fato” (GASPAROTO, op. cit.).

Sendo o design baseado em soluções para problemas específicos, utiliza-se de uma metodologia para que ser possa entender as etapas e definir caminhos para se chegar a tal resolução. Como tanto design quanto ciência se baseiam em métodos, podemos indagar que design é ciência.

No entanto, o design se vale das referencias pessoais de cada indivíduo para compor o repertório necessário ao desenvolvimento estético dos projetos. Ou seja, o conhecimento de senso comum compreendido pelo aprendizado cotidiano das pessoas, o que se caracteriza pelo conhecimento sensível.

Porém, para o designer construir seu repertório é preciso que busque referencias no mundo – das artes, da publicidade e no seu entorno – e assim passe a utilizar os recursos aplicados nelas para expressar sua linguagem e assim fazer-se compreendido através de seus projetos. Sendo assim o design pode ser também caracterizado como arte.

Uma relação entre arte e design pode ser entendida pelo texto de Munari (c2001), onde apresenta o artista como sendo o criador de obras únicas e trabalha de modo pessoal e com estilo próprio, exprimindo suas sensações por seu repertório pessoal e experiências de mundo. Já o designer é “um projetista dotado de sentido estético“ que tenta produzir objetos cotidianos de maneira a ter seu uso melhor aproveitado.

O que diferencia o design da arte, segundo Cardoso (1998), é o fato do indivíduo que gerou a idéia não ser, necessariamente, o que a produziu, diferente do artesão que molda, uma a uma, suas criações.

Lançada essa discussão no Twitter (http://twitter.com), um dos usuários comentou “acho que design é uma ciência que usa a arte aplicada a seu favor.”[1]

Esse pensamento sintetiza uma discussão que rende muita saliva e muito fosfato para responder, porém, não significa que e uma realidade ou mesmo uma verdade absoluta. Acredito que pode-se pensar o design como um processo criativo que , ora busca suas referencias nas artes para desenvolver soluções, ora trabalha os métodos projetuais para viabilizar estas soluções de maneira a tornar os produtos acessíveis ao seu usuário.

O que se sabe é que o design possui uma característica comercial onde, se apresenta de maneira elitista, mesmo não o sendo enquanto a arte possui um caráter de transformação social muito maior e mais visível, dentro do senso comum da comunidade, porém não se preocupando com a qualidade de sua interferência e sim com a apresentação de uma ideia individualista.

Atualmente, a situação está cada vez mais complexa devido a grande variedade  de trabalhos de arte realizados por designers, ilustradores e artistas digitais. Este universo esta se tornando mais próximo, onde a tecnologia propicia uma serialização dos trabalhos artísticos ou mesmo uma individualização dos trabalhos de design. Além do que a divulgação de ambos se tornou muito mais amplo e generalista, não mais sendo restrito ao artista as galerias de arte e aos designers uma “linha de produção”.

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Referencias:

CARDOSO, Ricardo. Design, cultura material e o feticismo dos objetos. Revista Arcos, v. 1, no único, outubro 1998. In: ESPINOLA, Vanessa; COUTINHO-SILVA, Thiago. Arte e design: uma reflexão sobre suas distinções. Anais VIII P&D Design, São Paulo/SP. VIII Congresso brasileiro de pesquisa e desenvolvimento em design. São Paulo: SENAC, 2008.

GASPAROTO, Jayme W. Metodologia Científica. Apostila de aulas. Marilia: UNIVEM, 2006.

MUNARI, Bruno. Artista e designer. Lisboa: 70, c2001.


[1] Twitter: ricardocortaz RT @mduart: Acho que design é uma ciência que usa a arte aplicada a seu favor.