O livro e suas capas

Sabe aquela frase: “você compra o livro pela capa”? Ela é verdadeira, mas de qual capa estamos falando?

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Além da função básica de apresentar as informações de identificação da obra, as capas servem como um verdadeiro outdoor, onde a junção de elementos estéticos são incorporados a fim de atrair a atenção dos leitores. Mesmo considerando que o livro não deve ser comprado apenas pela sua capa, a função de atrair e seduzir o usuário para que consuma seu conteúdo é explorado de maneira explicita, proporcionando uma guerra nas prateleiras das livrarias.

Se valendo de imagens, ilustradas ou fotográficas, disposições variadas da tipografia, ao diagramar o título, ou simplesmente explorando as cores como elementos compositivos, as capas oferecem um apelo de venda intrínseco, advindo das características promocionais do marketing, onde a função de embalar o produto trata os aspectos estético-formais de maneira a criar um objeto desejado, necessário, mesmo que apenas por ser atraente.

Entendendo a estrutura do livro

Estrutura Geral de um livro

Um livro não é somente um monte de folhas presas pela capa. Ele possui partes, mais ou menos constantes em todos os títulos.

A capa e o miolo são os dois grandes segmentos que compõem um livro, mas cada um deles possuem partes específicas e complexas em sua elaboração.

O Miolo

Folhear um livro é um ato simples e muito prazeroso, mas não é somente por ser o conteúdo, mas por sua apresentação visual, sua diagramação, seu projeto gráfico, enfim, o miolo do livro é a sua alma.

Estruturalmente ele não é somente uma porção de letrinhas que formam palavras (risos). Araújo (2000), descreve a estrutura dos livros, em quatro partes:

  • Pré-textual: são elementos que antecedem o texto principal. Como elementos mínimos, que devem aparecer em uma obra, na seguinte ordem – falsa folha de rosto; folha de rosto; dedicatória; epígrafe; sumário; lista de ilustrações; lista de abreviaturas e siglas; prefácio e agradecimentos;
  • Textual: o texto correspondente ao conteúdo da obra, o livro propriamente dito;
  • Pós-textual: localiza-se depois do texto principal, elementos que a constituem podem ser as referências bibliográficas, os anexos, o posfácio, a errata, o glossário, os índices – remissivo e/ou onomástico – e o colofão e;
  • Extratextual: A capa e sua formatação específica (capa, segunda-capa, terceira-capa, quarta-capa e orelhas).

O projeto de um livro contempla a melhor organização estético-formal para representar a mensagem proposta pelo autor. Uma combinação de elementos capazes de representar graficamente a ideia central do título.

As Capas

A constituição da capa é feita para proteger as páginas internas, o miolo, geralmente feito com um papel mais fino. Desta forma, remete ao princípio das embalagens na função de proteção e apresentação do conteúdo, para seu público/leitor (AMBROSE, 2009). Araújo (2000) define “sob a designação genérica de ‘capa’, encadernada (revestimento duro) ou brochada (revestimento flexível)” esta parte extratextual que compõe o livro.

Acostumou-se a tratar por “capa” somente a primeira capa do livro, porém sua estrutura é mais complexa, conforme Araújo (2000):

  • primeira capa (parte externa, geralmente destinada a impressão das informações e grafismos – ilustrações, fotografias, etc);
  • segunda capa (verso da primeira capa, geralmente não é utilizada);
  • terceira capa (verso da quarta capa, também não utilizada para impressão);
  • quarta capa (ou contracapa, parte oposta da capa, que pode ou não ter informações impressas);
  • primeira orelha (dobra da primeira capa);
  • segunda orelha (dobra da quarta capa);
  • lombada (lateral do livro, parte visível quando o livro está posicionado em estantes) e;
  • sobrecapa (cobertura opcional ao livro, normalmente promocional ou com apelo estético).

Assim, as capas se valem dos diversos materiais e acabamentos para transmitir de maneira única as informações da obra, sempre buscando um recurso diferenciado para ganhar a atenção nas livrarias. Com as tecnologias gráficas se desenvolvendo, relevos, vernizes, entre tantos outras formas, fazem um espetáculo a parte, construindo, novamente, capas dignas de objeto de exposição. Outras vezes, a simplicidade de apenas conter as informações textuais dispostas de maneira a torná-la uma imagem representativa, exerce o papel de diferenciar a obra em meio a tantas opções.

Mas, basicamente, as informações contidas em uma capa são simples e objetivas, oferecendo uma grande gama de opções para organizá-las, deixando o designer livre para explorar sua criatividade e seus potenciais. Fawcett-Tang (2007), diz que é proporcional à tiragem, o investimento no projeto da capa do livro. Este fato faz com que as capas se transformem em projetos elaborados de design.

Num próximo post podemos discutir sobre cada uma das partes do livro de maneira mais ampla, pois cada uma delas é igualmente importante e encantadora.

É isso!

Referências bibliográficas

AMBROSE, Gavin. Formato. Porto Alegre: Bookman, 2009.
ARAÚJO, Emanuel. A construção do livro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
FAWCETT-TANG, Roger. O livro e o designer I: Embalagem, Navegação, Estrutura e Especificação. São Paulo: Edições Rosari, 2007.
HENDEL, Richard. O design do livro. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.

Agradecimentos

As informações contidas neste post são uma pequenina parte de minha dissertação de mestrado. Agradeço ao Capes e a FAAC-UNESP pelo incentivo financeiro para a pesquisa.

Publicado originalmente em: http://chocoladesign.com/o-livro-e-suas-capas (OFF-LINE)

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